Um espetáculo que nasce da ciência, atravessa a arte e chega ao público como experiência sensorial e educativa. Essa é a proposta de “Juju e a Juçara” (@jujumusica), obra que estreia no dia 29 de maio, no Teatro Municipal de Antonina, e percorre diferentes cidades do Litoral do Paraná com uma abordagem que combina teatro, música, instalação interativa e formação comunitária.
Idealizado por Julia Moretti, ecóloga de formação que também atua como produtora cultural e atriz, o projeto nasce de mais de uma década de trabalho com a palmeira juçara (Euterpe edulis), espécie nativa da Mata Atlântica ameaçada pela extração predatória do palmito. Mais do que um espetáculo infantil, a proposta busca sensibilizar o público, especialmente crianças e comunidades locais, sobre o uso sustentável do fruto como alternativa de conservação ambiental.
A narrativa acompanha Juju, uma menina criada na região do Marumbi, que parte em uma jornada simbólica pela floresta após receber uma missão de uma ave. Ao longo do percurso, a personagem constrói aprendizados com diferentes elementos da fauna e da natureza, até compreender que a floresta não é um recurso isolado, mas uma rede complexa de vida.
A própria autora do projeto explica que a transposição do conhecimento técnico para o palco foi um movimento intencional. Segundo ela, a relação com a juçara atravessa sua trajetória em diferentes momentos. Primeiro, como descoberta sensorial, a partir do contato direto com o fruto. Depois, como objeto de investigação científica durante a formação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), quando passou a compreender o papel central da espécie na regeneração da Mata Atlântica e na alimentação da fauna.
Essa conexão se aprofundou também na prática, com a atuação na coleta, despolpa e comercialização de polpas e sucos, e, mais recentemente, no desenvolvimento de ações voltadas à educação ambiental.
“O espetáculo nasce desse percurso, como um desdobramento artístico de experiências no território, na pesquisa e no trabalho. A proposta é traduzir um conteúdo que muitas vezes fica restrito ao campo científico em uma linguagem acessível, sensível e capaz de gerar identificação, especialmente com as crianças, aproximando conhecimento, cultura e afeto”, afirma.
Arte coletiva dá forma ao universo de “Juju e a Juçara”
A construção estética do espetáculo é resultado de um trabalho coletivo que reúne artistas de diferentes linguagens e trajetórias, com forte conexão com o território e a cultura local.
A direção é assinada por Kamylla dos Santos, que conduz a narrativa com olhar sensível e experiência de palco, enquanto a produção executiva fica a cargo de Adriana Hote e Bárbara Ribas, responsáveis pela articulação e circulação do projeto nas cidades do Litoral.
No campo visual, os figurinos são criados por Mariah Kloss, e o cenário, um dos elementos centrais da montagem, leva a assinatura de Tainá Andere, que também atua em cena. Multiartista, contadora de histórias e fazedora de brinquedos, junto à equipe ela auxiliou a desenvolver a palmeira juçara de metal expansível que ajuda a transportar o público para o ambiente da Mata Atlântica.
A trilha sonora original, que conduz a jornada da personagem, é dirigida por Beli Bertalha, com composições que dialogam com a cultura caiçara e ajudam a construir a atmosfera do espetáculo. Em cena, a narradora ganha voz na interpretação de Bárbara Ribas, artista e produtora cultural que transita por diferentes ritmos e imprime musicalidade à narrativa.
A dimensão lúdica é ampliada pelas animações da ilustradora e designer Carolina Sobreira, que cria personagens e ambientações projetadas no palco, reforçando o caráter imersivo da experiência.
O roteiro foi desenvolvido em parceria com Tainá Andere, a partir das vivências e pesquisas de Julia Moretti, consolidando um processo criativo que integra arte, território e educação ambiental.
Além da apresentação teatral, o projeto inclui a instalação “Expedição Juçara”, composta por quatro estações interativas que aprofundam os temas abordados no espetáculo. O destaque são os minimundos elaborados por Leonardo Cappucci, que trazem miniaturas de alguns dos animais dispersores da juçara em seu habitat.
O projeto é realizado por meio do Edital de Fomento à Cultura Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Multiartes, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná. A proposta é transformar o público em participante ativo do processo de aprendizagem, com experiências sensoriais.
Quando e onde ver
Após a estreia em Antonina, o espetáculo segue para Morretes e Matinhos ao longo de maio e junho, com apresentações abertas ao público e ações voltadas a estudantes. A programação inclui ainda oficinas na Cozinha Comunitária do Candonga, com foco no manejo e no uso culinário da juçara, ampliando o debate para a geração de renda e fortalecimento da socioeconomia local.
A iniciativa também prevê atividades formativas para educadores, consolidando o projeto como uma intervenção que vai além do palco e busca impacto direto nos territórios. Acompanhe também pelo Instagram no perfil @jujumusica.
29 de maio
Antonina – Teatro Municipal
14h
Apresentação aberta ao público
2 de junho
Matinhos – UFPR Litoral
13h
Apresentação para alunos do contraturno escolar
5 de junho
Morretes – Estação das Artes (FLIMO 2026)
15h
Apresentação aberta ao público
13 de junho
Morretes – Cozinha Comunitária do Candonga
8h30 às 17h
Oficina gratuita de colheita e despolpa da juçara
14 de junho
Morretes – Cozinha Comunitária do Candonga
13h às 17h
Oficina de receitas com polpa de juçara
Data a definir
Morretes – Associação de Moradores do Mundo Novo


