A sessão ordinária da Câmara Municipal de Paranaguá foi palco de um intenso debate político entre o ex-presidente da Casa, Marquinhos Roque, e o atual presidente, Adalberto Araújo. O ponto central da discussão foi a votação que resultou na criação de 40 novos cargos comissionados, medida que gera um impacto financeiro estimado em R$ 5 milhões anuais aos cofres públicos.
Durante sua intervenção, Marquinhos Roque utilizou a tribuna para questionar a coerência da atual gestão, classificando a postura da presidência como "falso moralismo". O parlamentar relembrou discursos anteriores de austeridade feitos por Adalberto Araújo e criticou gastos atuais, como o aluguel de veículos que chega a R$ 300 mil por ano, contrastando com críticas que recebeu no passado quando ocupava o cargo. Marquinhos afirmou que a "engrenagem municipal" tem funcionado sem essas novas vagas, sugerindo que a pauta visava apenas acomodações políticas.
O clima de tensão aumentou quando o presidente Adalberto Araújo rebateu as críticas de Marquinhos, utilizando o microfone para mencionar investigações preliminares envolvendo o ex-prefeito Marcelo Roque, irmão de Marquinhos, que não estava presente no plenário. O embate ocorreu em um ambiente de acesso controlado, onde cidadãos comuns enfrentaram dificuldades para entrar devido ao uso de senhas e à ocupação das galerias por servidores comissionados da administração municipal.
Apesar do confronto e dos questionamentos sobre a prioridade da pauta em relação às necessidades da população, o projeto foi aprovado por 15 votos a 1. A aprovação ocorre em um momento em que a eficiência da fiscalização da Câmara é monitorada por órgãos de controle, mantendo o debate sobre a gestão dos gastos públicos em evidência na cidade.


